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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

TVS PÚBLICAS DE QUALIDADE - I
“Não acredito que para produzir conteúdo de qualidade você deva baixar o nível da programação. Por isso essa discussão em busca de novas linguagens e formatos”. A afirmação é do secretário executivo do Ministério da Cultura (MinC), Juca Ferreira e justifica o principal objetivo do Workshop de Programação para TV Pública, que acontece até sexta-feira, 24, no Salvador Vitória Marina, Corredor da Vitória. A série de debates é uma iniciativa conjunta do Ministério da Cultura (MinC), Secretaria de Comunicação Social e Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) e conta com o apoio do Grupo A TARDE. Acompanhe as conferências ao vivo pelo portal A TARDE On Line.

Segundo o secretário a intenção é fazer com que, cada vez mais, a TV pública tenha relação com o interesse público e que tenha condição de elevar a inteligência crítica do espectador.

Já o secretário do audiovisual do Minc, Orlando Senna, falou que a idéia é emancipar a TV pública em todos os sentidos: linguagem, gestão e programação. Ele também falou sobre a relevância de se exportar produtos culturais. “A TV pública faz parte de um mercado em crescimento exponencial, que é o audiovisual. O país que não exporta audiovisual será apenas um importador, não só de produtos audiovisuais, mas de tudo que aparece na tela”, disse.

A segunda-mesa redonda foi aberta com o pronunciamento do secretário de cultura da Bahia, Márcio Meirelles. O secretário comentou que a Bahia está atrasada nas discussões sobre diversidade cultural. “A Bahia está muito atrasada nesta discussão porque passamos muito tempo sob uma mesma ótica política, que gerou o atrofiamento da diversidade cultural do nosso estado”, disse

Meirelles falou sobre a fase que a TV pública atravessa. “Esse momento é o momento de reinvenção. É sempre complicado reinventar o novo, porque os modelos existentes são muito fortes”, disse. Ele comentou ainda sobre a diferença de abordagem das tevês pública e comercial. “A TV pública atende ao cidadão e a TV comercial, ao consumidor. Como se não se tratasse da mesma pessoa”. De acordo com o secretário, a construção de uma nova TV pública é um dever do governo e de toda a sociedade.

O mito da audiência foi abordado por Regina Mota, membro do Conselho de Curadores da Rede Minas de Televisão. “A concentração de audiência é nociva. É o contrário da idéia de diversidade. O fenômeno que estamos vivendo é o do emburrecimento. Quando todo mundo gosta da mesma coisa é o fim da picada”, disse. Regina defendeu os padrões das tevês privadas não devem ser seguidos para a construção da TV pública e que falta programação que provoque a reflexão do espectador.

Na seqüência, o diretor do departamento regional do SESC –SP falou sobre a necessidade de novos princípios programáticos. “Com a guerra pela audiência não há preocupação de provocar inteligência, não sobra espaço para a diversidade. O que parece ser fundamental é que se forneça programas que atendam ao público como um todo, seguindo princípios como imparcialidade e qualidade”, destacou.

Também participaram das discussões o assessor da secretaria de comunicação da presidência da república Arnaldo César; o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, Ildes Ferreira e o presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro.

Outros dois painéis integram a programação desta quarta-feira. Das 13h30 ás 15h30 será discutido o tema “O lugar do Estado no espaço público de comunicação”. Depois, o debate sobre “O jornalismo da TV pública”, que acontece das 16h às 19h, encerra as atividades do primeiro dia do evento.

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