Proposta quer acabar com concessões a políticos
04/12/2007 00:47
A apresentação de uma proposta de emenda que elimine as "brechas" existentes na Constituição que permitem aos políticos serem donos de emissoras de rádio e televisão deverá ser recomendada por uma subcomissão da Câmara dos Deputados, criada para elaborar sugestões de novas regras para a concessão de outorgas. A subcomissão se reunirá hoje para concluir seu relatório, que será submetido, depois, à Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. A presidente da subcomissão, deputada Luiz Erundina (PSB-SP), disse que é necessário modificar o artigo 54 da Constituição para eliminar essas "brechas". No plenário do Senado, está marcada para hoje a votação de um pedido de cassação do mandato do presidente licenciado da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de registrar em nome de "laranjas" duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas. "Como esse artigo não foi regulamentado, os detentores de cargos públicos conseguem burlar a Constituição", disse Erundina. O artigo 54 diz que deputados e senadores não podem "ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público", como as emissoras de rádio e TV. "Só tem uma forma de resolver o problema: é modificando este artigo, deixando a redação mais clara", avalia a deputada. A relatora da subcomissão, deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), disse que seu relatório vai sugerir o encaminhamento de outras PECs e de projetos de lei sobre regras para as rádios comunitárias e emissoras educativas.
PÁGINAS DO PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
ENTIDADES QUE LUTAM PELA DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NO BRASIL
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA QUESTIONA COMUNICAÇÃO
Movimento dos Sem Mídia questiona comunicação
Fonte: Agência Carta Maior
Publicado em: 20/11/2007 - 9:25
O presidente do Movimento dos Sem-Mídia, Eduardo Guimarães, divulgou artigo na Agência Carta Maior. Segundo ele, o ano de 2007 marcará a história como aquele em que começaram a se tornar sistemáticas e cada vez mais altas as críticas à mídia. "Além do florescimento de sites, blogs e portais com variedade de linha editorial, a rua começou a ser tomada por movimentos questionadores, destaca.
Veja a íntegra do artigo:
2007, a hora da mídia
O Fórum Internacional Mídia, Poder e Democracia, que ocorreu em Salvador entre 12 e 14 de novembro deste ano, produziu algumas impressões neste observador. Nunca antes neste país a mídia foi tão discutida quanto tem sido nos últimos tempos. Nunca antes neste país - talvez, com exceção de no pós-morte de Getúlio Vargas - a sociedade protestou contra meios de comunicação com tanto ímpeto e indignação. O ano de 2007 marcou a história da mídia brasileira. Com o início do segundo mandato de Lula, após uma campanha eleitoral em que o comportamento da mídia vem sendo descrito até por estudos técnicos como um dos mais tendenciosos em anos eleitorais de toda história, materializou-se a primeira grande reação da sociedade brasileira contra a ditadura dos meios de comunicação. Quem ainda não captou o desenrolar do processo histórico - e mundial - de insurreição contra o poder sempre intocado da mídia que está em curso, está deixando de enxergar um aspecto fascinante da contínua evolução civilizatória da humanidade. O surgimento dos protestos de rua contra meios de comunicação no Brasil emula o processo que vêm ocorrendo em países como Venezuela, Bolívia ou Equador. No mundo inteiro, a mídia reina soberana. Porém, no resto do planeta escrevem-se artigos, funcionam milhares de blogs, de sites, enviam--se centenas de milhões de e-mails, todo esse material com conteúdo político. Esse uso da internet foi o que desencadeou um processo em que a sociedade começou a sair da arena virtual para se materializar na arena real em que as sociedades de todas as épocas sempre tiveram, têm e sempre terão que travar seus embates de idéias e acomodação de interesses sectários.Nesse aspecto, o ano de 2007 marcará a história como aquele em que começaram a se tornar sistemáticas e cada vez mais altas as críticas à mídia. Além do florescimento de grandes sites, blogs e portais de internet com variedade de linha editorial ditada por viés político, o espaço público, a rua, começou a ser tomado por movimentos questionadores das instituições. Este ano, um grupo de pessoas de classe média alta uniu-se a artistas, militantes políticos e grandes grupos empresariais para pedir "fora Lula", conforme se viu nessas manifestações. Esse grupo, que se auto-denominou como "Cansei", também se disse descontente com a "corrupção", com os impostos "altos", com a "criminalidade" e com o "caos aéreo". No fim, porém, resumia tudo isso com um "fora Lula", que o grupo nunca disse como se daria. No segundo semestre, além de todo bombardeio virtual - que não pára de crescer -, a mídia começou a ser questionada diante de seus quartéis-generais. Primeiro, foi o Movimento dos Sem-Mídia diante da Folha de São Paulo. Depois, estudantes foram duas vezes protestar diante da Editora Abril. Em Seguida, no início de outubro, várias capitais do país foram tomadas pelo grupo do Intervozes. Finalmente, há alguns dias, o MSM manifestou-se diante da Globo em São Paulo. Agora, com o recém-terminado fórum internacional que discutiu a mídia em Salvador, 2007 vai se consolidando como o ano em que esse processo questionador do dito "quarto poder" acaba de ganhar um impulso que não havia ganhado em centenas de anos, desde o surgimento da imprensa, porque é um processo mais cerebral. Não são as turbas enfurecidas que avançaram sobre jornais depois do suicídio de Getúlio Vargas; são pensadores, jornalistas, políticos e a própria sociedade civil discutindo o uso desse poder tão avassalador para privilegiar posições político-ideológicas e econômicas. E mais: protestando contra isso. A constatação do caos, porém, já foi feita. Todos sabemos que a Globo, a Folha, a Veja e congêneres são partidários. Todos sabemos que milhares de pequenos jornais, sites, tevês e rádios procuram copiar os grandes veículos. Todos sabemos que as matérias políticas são baseadas na linha editorial desses veículos e não em fatos. Todos sabemos, também, que ninguém criará outra Globo, outra Folha ou outra Veja. Se a luta pela democratização da mídia fosse se resumir a embate entre os veículos da mídia dita "alternativa" e os mega-hiper-master-blaster-super meios de comunicação, quem se opõe a estes estaria muito mal na foto. Como veículos que só atingem nem 10% da sociedade que usa computador ou que são comprados em bancas de jornal por algumas centenas de milhares de pessoas poderiam brigar com uma Globo, que atinge mais de 90% das residências dos brasileiros, que atinge mais de uma centena de milhão de pessoas e lhe fala numa linguagem coloquial e acessível, se blogs, sites, e-mails e publicações questionadoras da mídia atingem uma fração da sociedade e falam a língua dos semi-eruditos, compreensível só pelos mais politizados?É preciso fazer chegar ao conjunto da sociedade, em linguagem simples, a idéia de que há questionamento quanto às versões político-ideológicas que a mídia difunde em escala avassaladora. Quem define o poder neste país, apesar de tudo, são as massas. São elas que reelegeram Lula. A esmagadora maioria dos que votaram no atual presidente não foram seduzidas pela versão de seus partidários e simpatizantes sobre como ele governa. As pessoas, uns 90% dos sessenta milhões que optaram por manter o atual governo, foram seduzidas pela percepção de melhora da própria vida. Não votaram por conta de teorias, por mais bem escritas e elaboradas que fossem. A luta pela internet, nas ruas, no âmbito da família, no trabalho, onde quer que se queira fazê-la, todas elas serão válidas. A luta, afinal, partiu dos setores mais intelectualizados da sociedade. Partiu da classe média progressista. Mas essa luta precisa se espalhar, ou morrerá. Muito se fala da Venezuela. Tirando as mentiras, o que fica é que a principal obra de Hugo Chávez não foi acabar com o analfabetismo ou dar saúde e educação de qualidade mínima a todos. O que se sobrepõe na obra chavista é ela ter conscientizado politicamente as massas empobrecidas, os eternos prejudicados pela desigualdade. Conscientes de seus direitos civis, dos conceitos republicanos de igualdade de todos diante do Estado, essas massas majoritárias venezuelanas têm sido contempladas com a parte majoritária dos recursos do país. Esse é o cerne da luta de classes em curso na Venezuela. Esse é o objetivo de toda América Latina.Estamos, talvez, na região mais desigual do planeta. Esta parte do mundo é rica, tem bom clima, recursos naturais inesgotáveis, mas nada disso reverte em benefício da maioria. Isso ocorre por conta da apropriação do que é de todos por pequenos grupos étnicos e de interesses. Esses grupos mantêm a hegemonia sobre todos os outros valendo-se do meio de gritarem mais alto, que é através da mídia. A elite se mantém concentrando a renda da massa, no grito. Se a humanidade não tomar uma atitude, o planeta, em décadas ou menos, mergulhará, primeiro, em uma série de conflitos regionais, e, depois, talvez em um conflito de proporção mundial. É difícil pedir às pessoas que pensem seu cotidiano em termos de significado histórico. É difícil pedir a alguém que se paute, ao menos em parte, pelo desejo de beneficiar seus descendentes. Vivemos uma luta diária pela sobrevivência. Mal damos conta de vencer nossos desafios. Como pensar nos desafios dos que nos sucederão? Porém, se nossos antepassados não tivessem pensado assim, hoje o mundo seria um lugar muito melhor para viver. Em algum momento, uma geração terá que decidir fazer alguma coisa pelos que lhe darão continuidade. Tomara que seja a nossa geração.
Fonte: Agência Carta Maior
Publicado em: 20/11/2007 - 9:25
O presidente do Movimento dos Sem-Mídia, Eduardo Guimarães, divulgou artigo na Agência Carta Maior. Segundo ele, o ano de 2007 marcará a história como aquele em que começaram a se tornar sistemáticas e cada vez mais altas as críticas à mídia. "Além do florescimento de sites, blogs e portais com variedade de linha editorial, a rua começou a ser tomada por movimentos questionadores, destaca.
Veja a íntegra do artigo:
2007, a hora da mídia
O Fórum Internacional Mídia, Poder e Democracia, que ocorreu em Salvador entre 12 e 14 de novembro deste ano, produziu algumas impressões neste observador. Nunca antes neste país a mídia foi tão discutida quanto tem sido nos últimos tempos. Nunca antes neste país - talvez, com exceção de no pós-morte de Getúlio Vargas - a sociedade protestou contra meios de comunicação com tanto ímpeto e indignação. O ano de 2007 marcou a história da mídia brasileira. Com o início do segundo mandato de Lula, após uma campanha eleitoral em que o comportamento da mídia vem sendo descrito até por estudos técnicos como um dos mais tendenciosos em anos eleitorais de toda história, materializou-se a primeira grande reação da sociedade brasileira contra a ditadura dos meios de comunicação. Quem ainda não captou o desenrolar do processo histórico - e mundial - de insurreição contra o poder sempre intocado da mídia que está em curso, está deixando de enxergar um aspecto fascinante da contínua evolução civilizatória da humanidade. O surgimento dos protestos de rua contra meios de comunicação no Brasil emula o processo que vêm ocorrendo em países como Venezuela, Bolívia ou Equador. No mundo inteiro, a mídia reina soberana. Porém, no resto do planeta escrevem-se artigos, funcionam milhares de blogs, de sites, enviam--se centenas de milhões de e-mails, todo esse material com conteúdo político. Esse uso da internet foi o que desencadeou um processo em que a sociedade começou a sair da arena virtual para se materializar na arena real em que as sociedades de todas as épocas sempre tiveram, têm e sempre terão que travar seus embates de idéias e acomodação de interesses sectários.Nesse aspecto, o ano de 2007 marcará a história como aquele em que começaram a se tornar sistemáticas e cada vez mais altas as críticas à mídia. Além do florescimento de grandes sites, blogs e portais de internet com variedade de linha editorial ditada por viés político, o espaço público, a rua, começou a ser tomado por movimentos questionadores das instituições. Este ano, um grupo de pessoas de classe média alta uniu-se a artistas, militantes políticos e grandes grupos empresariais para pedir "fora Lula", conforme se viu nessas manifestações. Esse grupo, que se auto-denominou como "Cansei", também se disse descontente com a "corrupção", com os impostos "altos", com a "criminalidade" e com o "caos aéreo". No fim, porém, resumia tudo isso com um "fora Lula", que o grupo nunca disse como se daria. No segundo semestre, além de todo bombardeio virtual - que não pára de crescer -, a mídia começou a ser questionada diante de seus quartéis-generais. Primeiro, foi o Movimento dos Sem-Mídia diante da Folha de São Paulo. Depois, estudantes foram duas vezes protestar diante da Editora Abril. Em Seguida, no início de outubro, várias capitais do país foram tomadas pelo grupo do Intervozes. Finalmente, há alguns dias, o MSM manifestou-se diante da Globo em São Paulo. Agora, com o recém-terminado fórum internacional que discutiu a mídia em Salvador, 2007 vai se consolidando como o ano em que esse processo questionador do dito "quarto poder" acaba de ganhar um impulso que não havia ganhado em centenas de anos, desde o surgimento da imprensa, porque é um processo mais cerebral. Não são as turbas enfurecidas que avançaram sobre jornais depois do suicídio de Getúlio Vargas; são pensadores, jornalistas, políticos e a própria sociedade civil discutindo o uso desse poder tão avassalador para privilegiar posições político-ideológicas e econômicas. E mais: protestando contra isso. A constatação do caos, porém, já foi feita. Todos sabemos que a Globo, a Folha, a Veja e congêneres são partidários. Todos sabemos que milhares de pequenos jornais, sites, tevês e rádios procuram copiar os grandes veículos. Todos sabemos que as matérias políticas são baseadas na linha editorial desses veículos e não em fatos. Todos sabemos, também, que ninguém criará outra Globo, outra Folha ou outra Veja. Se a luta pela democratização da mídia fosse se resumir a embate entre os veículos da mídia dita "alternativa" e os mega-hiper-master-blaster-super meios de comunicação, quem se opõe a estes estaria muito mal na foto. Como veículos que só atingem nem 10% da sociedade que usa computador ou que são comprados em bancas de jornal por algumas centenas de milhares de pessoas poderiam brigar com uma Globo, que atinge mais de 90% das residências dos brasileiros, que atinge mais de uma centena de milhão de pessoas e lhe fala numa linguagem coloquial e acessível, se blogs, sites, e-mails e publicações questionadoras da mídia atingem uma fração da sociedade e falam a língua dos semi-eruditos, compreensível só pelos mais politizados?É preciso fazer chegar ao conjunto da sociedade, em linguagem simples, a idéia de que há questionamento quanto às versões político-ideológicas que a mídia difunde em escala avassaladora. Quem define o poder neste país, apesar de tudo, são as massas. São elas que reelegeram Lula. A esmagadora maioria dos que votaram no atual presidente não foram seduzidas pela versão de seus partidários e simpatizantes sobre como ele governa. As pessoas, uns 90% dos sessenta milhões que optaram por manter o atual governo, foram seduzidas pela percepção de melhora da própria vida. Não votaram por conta de teorias, por mais bem escritas e elaboradas que fossem. A luta pela internet, nas ruas, no âmbito da família, no trabalho, onde quer que se queira fazê-la, todas elas serão válidas. A luta, afinal, partiu dos setores mais intelectualizados da sociedade. Partiu da classe média progressista. Mas essa luta precisa se espalhar, ou morrerá. Muito se fala da Venezuela. Tirando as mentiras, o que fica é que a principal obra de Hugo Chávez não foi acabar com o analfabetismo ou dar saúde e educação de qualidade mínima a todos. O que se sobrepõe na obra chavista é ela ter conscientizado politicamente as massas empobrecidas, os eternos prejudicados pela desigualdade. Conscientes de seus direitos civis, dos conceitos republicanos de igualdade de todos diante do Estado, essas massas majoritárias venezuelanas têm sido contempladas com a parte majoritária dos recursos do país. Esse é o cerne da luta de classes em curso na Venezuela. Esse é o objetivo de toda América Latina.Estamos, talvez, na região mais desigual do planeta. Esta parte do mundo é rica, tem bom clima, recursos naturais inesgotáveis, mas nada disso reverte em benefício da maioria. Isso ocorre por conta da apropriação do que é de todos por pequenos grupos étnicos e de interesses. Esses grupos mantêm a hegemonia sobre todos os outros valendo-se do meio de gritarem mais alto, que é através da mídia. A elite se mantém concentrando a renda da massa, no grito. Se a humanidade não tomar uma atitude, o planeta, em décadas ou menos, mergulhará, primeiro, em uma série de conflitos regionais, e, depois, talvez em um conflito de proporção mundial. É difícil pedir às pessoas que pensem seu cotidiano em termos de significado histórico. É difícil pedir a alguém que se paute, ao menos em parte, pelo desejo de beneficiar seus descendentes. Vivemos uma luta diária pela sobrevivência. Mal damos conta de vencer nossos desafios. Como pensar nos desafios dos que nos sucederão? Porém, se nossos antepassados não tivessem pensado assim, hoje o mundo seria um lugar muito melhor para viver. Em algum momento, uma geração terá que decidir fazer alguma coisa pelos que lhe darão continuidade. Tomara que seja a nossa geração.
ENTIDADES PROPÕEM TEMÁTICA PARA A CONFERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO
5 DE NOVEMBRO DE 2007 - 10h16
Entidades propõem temática para a Conferência de Comunicação
A Conferência Nacional de Comunicação é uma proposta da sociedade civil que este ano foi acolhida pelo Governo Federal. Acontecerá em 2008, fruto de uma construção conjunta entre entidades representativas de categorias profissionais, do movimento social e o Estado.
A idéia da conferência porém, é uma formulação antiga do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, que apresentou recentemente o esboço de uma proposta temática para a conferência. O elenco de temas foi relacionado pelo Fórum a partir do acúmulo de estudos e militância na elaboração teórica e política do setor de comunicações no País.
Soberania, liberdade de expressão, regionalização, inclusão social, diversidade cultural, convergência tecnológica e questões de gênero são, para o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), os princípios fundamentais que devem permear a pauta da Conferência Nacional de Comunicação (a ser realizada em 2008). “Não dá para pensar uma Conferência Nacional sem esta abrangência”, diz Vera Canabrava, da Executiva Nacional do FNDC e dirigente do Conselho Federal de Psicologia (CFP).
O Fórum apresentou recentemente, na comissão Pró-conferência (movimento que se reúne quinzenalmente para organizar ações e atividades que culminarão na grande assembléia), uma proposta temática para o encontro de 2008. (veja aqui o esquema temático). A proposta organiza temas que não poderão faltar nas discussões acerca das políticas de comunicação para o Brasil, considerando o ambiente de convergência dos meios e foco no cidadão.
Meios em transição
A transferência em curso do processo analógico para o digital, que faz convergirem os meios de comunicação, mudará definitivamente a forma como nos relacionamos com a televisão aberta, o rádio, as telecomunicações, cinema, mídia impressa e o mercado editorial. A Conferência Nacional de Comunicação precisará tratar dos meios considerando a situação de transitoriedade pela qual eles passam. “Não podemos abandonar, nesta Conferência, a divisão dos meios físicos. Temos que regulá-los considerando suas características. Assim como a televisão, também o livro, o jornal impresso, todos esses meios que estão em mudança”, defende Celso Schröder, coordenador-geral do FNDC, destacando que não se sabe quanto tempo tais meios vão durar no formato atual.
Durante a Conferência Nacional Preparatória de Comunicação, realizada de 17 a 19 de setembro, em Brasília, o FNDC defendeu o conceito de rede pública e única, com garantia de acesso universal a uma oferta de vídeo, voz e dados à população. O Fórum considera que a convergência no Brasil deve ser planejada no contexto das diversas plataformas tecnológicas de comunicação social e visando a otimização de suas decorrentes possibilidades econômicas, políticas e culturais
Cadeia produtiva
É essencial que o debate sobre a cadeia produtiva seja feito agora (já deveria ter sido feito para o Sistema Brasileiro de TV Digital – SBTVD), defende o FNDC em sua proposta temática. Nesse sentido, o Fórum propõe pensar no cidadão acima do consumidor, ou seja, com outro enfoque. “Colocar os mass media num outro patamar, que não é só de negócios, mas de direito público, pensando no cidadão”, esclarece a psicóloga Vera Canabrava, que representa o FNDC e o CFP na Comissão Pró-conferência. Vera salienta que a proposta do Fórum observa a questão tecnológica nos meios de comunicação com foco no cidadão.
Com a configuração que se desenha no ambiente de convergência, novos comportamentos exigem uma outra forma de pensar a cadeia produtiva da comunicação, basicamente: Produção, Provimento, Distribuição/Circulação, Recepção/Consumo. “A cadeia produtiva tem que ser racionalizada, pensada com todos os serviços que fazem parte dela, não só sobre o negócio. E temos que legislar sobre esses vários aspectos, cada um com suas especificidades e ao mesmo tempo articulados entre si”, detalha o coordenador do FNDC, apontando para a necessidade de se produzir políticas públicas para universalização, financiamento, regulação/legislação, educação para a mídia, pesquisa e desenvolvimento.
Rompendo a lógica dos sistemas
Os sistemas brasileiros – público, estatal e privado – foram montados a partir de uma lógica privada. O FNDC propõe pensá-los com outro foco, mudando para uma ótica pública. “Não é pensar em estatizar, mas criar mecanismos de controle, que nós nem sabemos ainda quais são, podem ser conselhos, ombudsmans, mecanismos pelo quais a sociedade incida sobre a autorização, seja ela privada ou pública”, explica Schröder. Será necessário constituir políticas públicas para a organização dos sistemas, gestão, financiamento, ordem econômica.
A partir da Conferência serão definidos os encaminhamentos necessários,proporcionando uma base para o processo regulatório das comunicações no país e para ações de governo e do Estado nesse sentido. “Da Conferência é bom que saia um ‘mapa’ indicativo com as leis que vamos precisar. Não defendemos uma única lei, mas bases de acordo que permitam leis mais consensuais, rompendo a lógica que se criou no Brasil, que as poucas leis que têm saíram dos interesses patrimonialistas da empresas”, declarou Schröder.
Conferência em construção
Os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara decidiram, esta semana, encaminhar emenda ao Plano Plurianual (PPA) 2008-2011 referente à destinação de recursos para a gestão da política de comunicações do País. Os parlamentares propõem que sejam destinados R$ 20 milhões para a realização de conferências regionais e nacional de comunicação. “O objetivo da emenda é contribuir para a coordenação do planejamento e a formulação de políticas setoriais com a perspectiva da democratização da comunicação social no país”, justifica o CCTCI.
O movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação foi criado oficialmente ao final do Encontro Nacional de Comunicação, que ocorreu em junho de 2007, por iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. É composto por cerca de 30 entidades da sociedade civil de caráter nacional, entre elas o FNDC, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Conselho Federal de Psicologia (CFP), Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Intervozes, Federação Interestadual de Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (Fitert), Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Laboratório de Políticas em Comunicação da Universidade de Brasília (LaPCom/UnB), além da CDHM e do Ministério Público Federal.
Com informações do FNDC
http://www.fndc.org.br
Entidades propõem temática para a Conferência de Comunicação
A Conferência Nacional de Comunicação é uma proposta da sociedade civil que este ano foi acolhida pelo Governo Federal. Acontecerá em 2008, fruto de uma construção conjunta entre entidades representativas de categorias profissionais, do movimento social e o Estado.
A idéia da conferência porém, é uma formulação antiga do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, que apresentou recentemente o esboço de uma proposta temática para a conferência. O elenco de temas foi relacionado pelo Fórum a partir do acúmulo de estudos e militância na elaboração teórica e política do setor de comunicações no País.
Soberania, liberdade de expressão, regionalização, inclusão social, diversidade cultural, convergência tecnológica e questões de gênero são, para o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), os princípios fundamentais que devem permear a pauta da Conferência Nacional de Comunicação (a ser realizada em 2008). “Não dá para pensar uma Conferência Nacional sem esta abrangência”, diz Vera Canabrava, da Executiva Nacional do FNDC e dirigente do Conselho Federal de Psicologia (CFP).
O Fórum apresentou recentemente, na comissão Pró-conferência (movimento que se reúne quinzenalmente para organizar ações e atividades que culminarão na grande assembléia), uma proposta temática para o encontro de 2008. (veja aqui o esquema temático). A proposta organiza temas que não poderão faltar nas discussões acerca das políticas de comunicação para o Brasil, considerando o ambiente de convergência dos meios e foco no cidadão.
Meios em transição
A transferência em curso do processo analógico para o digital, que faz convergirem os meios de comunicação, mudará definitivamente a forma como nos relacionamos com a televisão aberta, o rádio, as telecomunicações, cinema, mídia impressa e o mercado editorial. A Conferência Nacional de Comunicação precisará tratar dos meios considerando a situação de transitoriedade pela qual eles passam. “Não podemos abandonar, nesta Conferência, a divisão dos meios físicos. Temos que regulá-los considerando suas características. Assim como a televisão, também o livro, o jornal impresso, todos esses meios que estão em mudança”, defende Celso Schröder, coordenador-geral do FNDC, destacando que não se sabe quanto tempo tais meios vão durar no formato atual.
Durante a Conferência Nacional Preparatória de Comunicação, realizada de 17 a 19 de setembro, em Brasília, o FNDC defendeu o conceito de rede pública e única, com garantia de acesso universal a uma oferta de vídeo, voz e dados à população. O Fórum considera que a convergência no Brasil deve ser planejada no contexto das diversas plataformas tecnológicas de comunicação social e visando a otimização de suas decorrentes possibilidades econômicas, políticas e culturais
Cadeia produtiva
É essencial que o debate sobre a cadeia produtiva seja feito agora (já deveria ter sido feito para o Sistema Brasileiro de TV Digital – SBTVD), defende o FNDC em sua proposta temática. Nesse sentido, o Fórum propõe pensar no cidadão acima do consumidor, ou seja, com outro enfoque. “Colocar os mass media num outro patamar, que não é só de negócios, mas de direito público, pensando no cidadão”, esclarece a psicóloga Vera Canabrava, que representa o FNDC e o CFP na Comissão Pró-conferência. Vera salienta que a proposta do Fórum observa a questão tecnológica nos meios de comunicação com foco no cidadão.
Com a configuração que se desenha no ambiente de convergência, novos comportamentos exigem uma outra forma de pensar a cadeia produtiva da comunicação, basicamente: Produção, Provimento, Distribuição/Circulação, Recepção/Consumo. “A cadeia produtiva tem que ser racionalizada, pensada com todos os serviços que fazem parte dela, não só sobre o negócio. E temos que legislar sobre esses vários aspectos, cada um com suas especificidades e ao mesmo tempo articulados entre si”, detalha o coordenador do FNDC, apontando para a necessidade de se produzir políticas públicas para universalização, financiamento, regulação/legislação, educação para a mídia, pesquisa e desenvolvimento.
Rompendo a lógica dos sistemas
Os sistemas brasileiros – público, estatal e privado – foram montados a partir de uma lógica privada. O FNDC propõe pensá-los com outro foco, mudando para uma ótica pública. “Não é pensar em estatizar, mas criar mecanismos de controle, que nós nem sabemos ainda quais são, podem ser conselhos, ombudsmans, mecanismos pelo quais a sociedade incida sobre a autorização, seja ela privada ou pública”, explica Schröder. Será necessário constituir políticas públicas para a organização dos sistemas, gestão, financiamento, ordem econômica.
A partir da Conferência serão definidos os encaminhamentos necessários,proporcionando uma base para o processo regulatório das comunicações no país e para ações de governo e do Estado nesse sentido. “Da Conferência é bom que saia um ‘mapa’ indicativo com as leis que vamos precisar. Não defendemos uma única lei, mas bases de acordo que permitam leis mais consensuais, rompendo a lógica que se criou no Brasil, que as poucas leis que têm saíram dos interesses patrimonialistas da empresas”, declarou Schröder.
Conferência em construção
Os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara decidiram, esta semana, encaminhar emenda ao Plano Plurianual (PPA) 2008-2011 referente à destinação de recursos para a gestão da política de comunicações do País. Os parlamentares propõem que sejam destinados R$ 20 milhões para a realização de conferências regionais e nacional de comunicação. “O objetivo da emenda é contribuir para a coordenação do planejamento e a formulação de políticas setoriais com a perspectiva da democratização da comunicação social no país”, justifica o CCTCI.
O movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação foi criado oficialmente ao final do Encontro Nacional de Comunicação, que ocorreu em junho de 2007, por iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. É composto por cerca de 30 entidades da sociedade civil de caráter nacional, entre elas o FNDC, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Conselho Federal de Psicologia (CFP), Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Intervozes, Federação Interestadual de Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (Fitert), Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Laboratório de Políticas em Comunicação da Universidade de Brasília (LaPCom/UnB), além da CDHM e do Ministério Público Federal.
Com informações do FNDC
http://www.fndc.org.br
TV PÚBLICA SÓ EXISTE SE POPULAÇÃO OPINAR SOBRE PROGRAMAÇÃO
TV pública só existe se população puder opinar sobre programação, diz ativista Danilo Macedo Repórter da Agência Brasil
Brasília - Um dos grandes desafios da TV Brasil é produzir programas de qualidade, inteligentes e que gerem reflexão. A avaliação sobre a nova TV pública, que entrou no ar ontem (2), é do jornalista Jonas Valente, integrante da organização Intervozes. Para ele, o ponto mais importante da TV pública é permitir que o cidadão participe da programação oferecida. "A TV só é pública se é feita com, para e pelo público". Valente também acredita que a programação deve disputar audiência com as emissoras comerciais. "Não queremos que a TV pública fique no gueto, algo marginal, com apenas traços de audiência", defendeu, em entrevista à Rádio Nacional.
O diretor da Associação Brasileira de Televisão Universitária, José Paschoal Neto, disse que essa é a oportunidade de se criar uma interatividade com o público. Segundo ele, o principal nível dessa interatividade acontece quando o usuário é capaz de gerar conteúdo e vê-lo publicado. "É preciso olhar a televisão como um instrumento de inclusão do indivíduo na sociedade", afirmou.
Para essa integração entre TV e usuário ser alcança, Paschoal Neto disse que não pode deixar de haver uma programação local dentro da nova emissora. "A questão da regionalização é um dos itens obrigatórios de uma TV que pretende ser uma vitrine para olhares da sociedade". Ele disse que até aqui foi um longo caminho e que, agora, a TV pública deve ser fortalecida. "Ela é um espaço importantíssimo no processo de democratização da comunicação e da informação", afirmou, também à Rádio Nacional. Os erros de percurso, segundo ele, são possíveis de ser verificados e serão corrigidos.
O canal permanente de interação e de relacionamento com o público deve ser criado pelo conselho curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Foi o que disse o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos 15 representantes da sociedade civil que vão integrar o conselho. "É preciso que os conselheiros se dêem conta de que o conselho é um interlocutor, uma espécie de correia de transmissão entre o público e os profissionais que cuidam da programação da TV pública", afirmou ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Belluzzo disse que a primeira reunião do conselho ainda não foi agendada, mas espera que nela já sejam definidos os instrumentos de relacionamento com a sociedade. O importante, segundo ele, é chegar a um entendimento de que instrumentos técnicos e tecnológicos serão estabelecidos com o público, para que haja um atendimento adequado e sem interrupções.','').replace('','') -->
Brasília - Um dos grandes desafios da TV Brasil é produzir programas de qualidade, inteligentes e que gerem reflexão. A avaliação sobre a nova TV pública, que entrou no ar ontem (2), é do jornalista Jonas Valente, integrante da organização Intervozes. Para ele, o ponto mais importante da TV pública é permitir que o cidadão participe da programação oferecida. "A TV só é pública se é feita com, para e pelo público". Valente também acredita que a programação deve disputar audiência com as emissoras comerciais. "Não queremos que a TV pública fique no gueto, algo marginal, com apenas traços de audiência", defendeu, em entrevista à Rádio Nacional.
O diretor da Associação Brasileira de Televisão Universitária, José Paschoal Neto, disse que essa é a oportunidade de se criar uma interatividade com o público. Segundo ele, o principal nível dessa interatividade acontece quando o usuário é capaz de gerar conteúdo e vê-lo publicado. "É preciso olhar a televisão como um instrumento de inclusão do indivíduo na sociedade", afirmou.
Para essa integração entre TV e usuário ser alcança, Paschoal Neto disse que não pode deixar de haver uma programação local dentro da nova emissora. "A questão da regionalização é um dos itens obrigatórios de uma TV que pretende ser uma vitrine para olhares da sociedade". Ele disse que até aqui foi um longo caminho e que, agora, a TV pública deve ser fortalecida. "Ela é um espaço importantíssimo no processo de democratização da comunicação e da informação", afirmou, também à Rádio Nacional. Os erros de percurso, segundo ele, são possíveis de ser verificados e serão corrigidos.
O canal permanente de interação e de relacionamento com o público deve ser criado pelo conselho curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Foi o que disse o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos 15 representantes da sociedade civil que vão integrar o conselho. "É preciso que os conselheiros se dêem conta de que o conselho é um interlocutor, uma espécie de correia de transmissão entre o público e os profissionais que cuidam da programação da TV pública", afirmou ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Belluzzo disse que a primeira reunião do conselho ainda não foi agendada, mas espera que nela já sejam definidos os instrumentos de relacionamento com a sociedade. O importante, segundo ele, é chegar a um entendimento de que instrumentos técnicos e tecnológicos serão estabelecidos com o público, para que haja um atendimento adequado e sem interrupções.','').replace('','') -->
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
TV DIGITAL ESTREIOU DIA 02 PARA POUQUÍSSIMOS.
TV digital estréia no dia 2, mas para poucos
Escrito por Jornal do Senado
sábado, 01 dezembro 2007
As transmissões digitais no Brasil atingirão, inicialmente, apenas São Paulo. E os telespectadores ainda têm muitas dúvidas sobre o funcionamento do serviço e sobre quanto terão que desembolsar. Saiba mais sobre este assunto, inclusive sobre as dificuldades de implantão e até sobre a rádio digital. Vale a pena se informar, são textos fornecidos pelo Senado (HR)
Obstáculo à TV digital ainda é preço do conversor
Governo reage a alto custo do equipamento essencial à recepção do novo sinal pelos consumidores
Com a estréia da TV digital no país prevista para o próximo dia 2 de dezembro, aumentam as dúvidas dos potenciais espectadores – ainda que o serviço inicialmente só esteja disponível para os moradores de São Paulo.
O primeiro passo é adquirir um conversor de TV digital, também chamado set-top box, ou caixa conversora. O aparelho é fundamental porque o que muda com a TV digital é a transmissão do sinal, e não apenas a qualidade da imagem. A imagem passará a ser enviada em códigos binários (seqüências de 0 e 1), linguagem igual à dos computadores. Para que os televisores "entendam" o novo sinal será necessário um "tradutor", o tal conversor de TV digital.
Na semana passada, empresas como a Positivo Informática e a Semp Toshiba anunciaram o lançamento dos seus modelos de conversores, que devem chegar às lojas paulistanas a partir desta segunda-feira. Os modelos custarão entre R$ 499 e R$ 1.199.
Diante dos preços anunciados, o presidente Lula autorizou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a tomar medidas para estimular a importação do conversor caso a indústria cobre R$ 750 ou mais pelo equipamento.
A intenção do governo é reduzir o custo do conversor para algo em torno de R$ 250. A importação seria uma forma de baixar o preço do aparelho e uma resposta aos empresários, que em reunião com o presidente há duas semanas teriam dito que o conversor custaria três vezes mais do que o previsto.
Rádio ainda avalia qual o melhor sistema
Professor teme fracasso por causa dos altos custos para as emissoras
O Estado deve adotar o sistema de rádio digital que respeite as características do modelo brasileiro de radiodifusão, bem como contemple todos os radiodifusores, segundo o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins. Ele participou de audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), que discutiu a implantação do rádio digital no Brasil.
O secretário explicou que existem os sistemas norte-americanos Iboc (in-band-on-channel), que usa as mesmas faixas de freqüência usadas hoje, tanto em freqüência modulada (FM) como em amplitude modulada (AM); os europeus DRM (digital radio mondiale), para AM, e DAB (digital audio broadcasting), para FM; e o japonês ISDB (integrated services digital broadcasting). Ele informou que o ministério está desenvolvendo testes em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para escolher o melhor sistema para o Brasil.
Na opinião do assessor técnico da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) Ronald Siqueira Barbosa, o sistema Iboc, por ser híbrido – transmite tanto de forma analógica como digital –, poderá melhor se adequar às necessidades brasileiras. Ele disse que, ao adotar tal sistema, as empresas poderão continuar a transmitir suas programações analogicamente até que tenham condições de implantar o sistema digital. Para o assessor, o público também é beneficiado ao continuar recebendo sua programação preferida sem a necessidade de haver mudança de freqüência ou de identidade da emissora.
O professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB) Lúcio Martins da Silva, advertiu que a implantação do novo sistema pode não ter sucesso pela falta de adesão das empresas e parte do público. As emissoras de rádios deverão investir, cada uma, cerca de US$ 100 mil em equipamentos para transmitir de forma digital e até os usuários precisarão comprar novos receptores.
Já o gerente-geral de autorização de uso de radiofreqüências da Anatel, Yapir Marotta, disse que a agência ainda não tem subsídios para fazer recomendações ao Ministério das Comunicações sobre o melhor sistema a adotar.
Emissoras comunitárias defendem anistia
No mesmo debate, o coordenador da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), José Guilherme Castro, disse que a discussão sobre a implantação do rádio digital enfatiza a qualidade que o novo sistema oferecerá e não trata da democratização da informação, o que, para ele, inclui as rádios comunitárias. Castro também pediu anistia para os comunicadores comunitários que respondem a processos na Justiça.
As rádios comerciais recebem tratamento diferenciado em relação às comunitárias, disse Castro. Segundo ele, a legislação é aplicada de forma desigual ao fiscalizar e punir as comunitárias, o que não ocorre com as comerciais.
– Quanto deve ser o saldo médio para não ser fiscalizado? Queremos vistas grossas para todos ou Polícia Federal para todos? – questionou o coordenador, ao argumentar que o erro do Estado é tratar as rádios comunitárias como "erva daninha".
Para a presidente da Federação das Associações das Rádios Comunitárias do Rio de Janeiro (Farc), Maria das Graças Rocha, as rádios comunitárias desempenham importante papel ao dar oportunidade às comunidades para que se expressem. Ela também salientou que tais rádios contribuem para a divulgação das tradições culturais, bem como prestam serviço de utilidade pública à comunidade.
Maria das Graças ainda criticou a legislação que impede as rádios comunitárias de captarem recursos publicitários. Ela destacou que, sem financiamento, as emissoras não podem sobreviver nem se adequar às novas tecnologias.
Escrito por Jornal do Senado
sábado, 01 dezembro 2007
As transmissões digitais no Brasil atingirão, inicialmente, apenas São Paulo. E os telespectadores ainda têm muitas dúvidas sobre o funcionamento do serviço e sobre quanto terão que desembolsar. Saiba mais sobre este assunto, inclusive sobre as dificuldades de implantão e até sobre a rádio digital. Vale a pena se informar, são textos fornecidos pelo Senado (HR)
Obstáculo à TV digital ainda é preço do conversor
Governo reage a alto custo do equipamento essencial à recepção do novo sinal pelos consumidores
Com a estréia da TV digital no país prevista para o próximo dia 2 de dezembro, aumentam as dúvidas dos potenciais espectadores – ainda que o serviço inicialmente só esteja disponível para os moradores de São Paulo.
O primeiro passo é adquirir um conversor de TV digital, também chamado set-top box, ou caixa conversora. O aparelho é fundamental porque o que muda com a TV digital é a transmissão do sinal, e não apenas a qualidade da imagem. A imagem passará a ser enviada em códigos binários (seqüências de 0 e 1), linguagem igual à dos computadores. Para que os televisores "entendam" o novo sinal será necessário um "tradutor", o tal conversor de TV digital.
Na semana passada, empresas como a Positivo Informática e a Semp Toshiba anunciaram o lançamento dos seus modelos de conversores, que devem chegar às lojas paulistanas a partir desta segunda-feira. Os modelos custarão entre R$ 499 e R$ 1.199.
Diante dos preços anunciados, o presidente Lula autorizou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a tomar medidas para estimular a importação do conversor caso a indústria cobre R$ 750 ou mais pelo equipamento.
A intenção do governo é reduzir o custo do conversor para algo em torno de R$ 250. A importação seria uma forma de baixar o preço do aparelho e uma resposta aos empresários, que em reunião com o presidente há duas semanas teriam dito que o conversor custaria três vezes mais do que o previsto.
Rádio ainda avalia qual o melhor sistema
Professor teme fracasso por causa dos altos custos para as emissoras
O Estado deve adotar o sistema de rádio digital que respeite as características do modelo brasileiro de radiodifusão, bem como contemple todos os radiodifusores, segundo o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins. Ele participou de audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), que discutiu a implantação do rádio digital no Brasil.
O secretário explicou que existem os sistemas norte-americanos Iboc (in-band-on-channel), que usa as mesmas faixas de freqüência usadas hoje, tanto em freqüência modulada (FM) como em amplitude modulada (AM); os europeus DRM (digital radio mondiale), para AM, e DAB (digital audio broadcasting), para FM; e o japonês ISDB (integrated services digital broadcasting). Ele informou que o ministério está desenvolvendo testes em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para escolher o melhor sistema para o Brasil.
Na opinião do assessor técnico da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) Ronald Siqueira Barbosa, o sistema Iboc, por ser híbrido – transmite tanto de forma analógica como digital –, poderá melhor se adequar às necessidades brasileiras. Ele disse que, ao adotar tal sistema, as empresas poderão continuar a transmitir suas programações analogicamente até que tenham condições de implantar o sistema digital. Para o assessor, o público também é beneficiado ao continuar recebendo sua programação preferida sem a necessidade de haver mudança de freqüência ou de identidade da emissora.
O professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB) Lúcio Martins da Silva, advertiu que a implantação do novo sistema pode não ter sucesso pela falta de adesão das empresas e parte do público. As emissoras de rádios deverão investir, cada uma, cerca de US$ 100 mil em equipamentos para transmitir de forma digital e até os usuários precisarão comprar novos receptores.
Já o gerente-geral de autorização de uso de radiofreqüências da Anatel, Yapir Marotta, disse que a agência ainda não tem subsídios para fazer recomendações ao Ministério das Comunicações sobre o melhor sistema a adotar.
Emissoras comunitárias defendem anistia
No mesmo debate, o coordenador da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), José Guilherme Castro, disse que a discussão sobre a implantação do rádio digital enfatiza a qualidade que o novo sistema oferecerá e não trata da democratização da informação, o que, para ele, inclui as rádios comunitárias. Castro também pediu anistia para os comunicadores comunitários que respondem a processos na Justiça.
As rádios comerciais recebem tratamento diferenciado em relação às comunitárias, disse Castro. Segundo ele, a legislação é aplicada de forma desigual ao fiscalizar e punir as comunitárias, o que não ocorre com as comerciais.
– Quanto deve ser o saldo médio para não ser fiscalizado? Queremos vistas grossas para todos ou Polícia Federal para todos? – questionou o coordenador, ao argumentar que o erro do Estado é tratar as rádios comunitárias como "erva daninha".
Para a presidente da Federação das Associações das Rádios Comunitárias do Rio de Janeiro (Farc), Maria das Graças Rocha, as rádios comunitárias desempenham importante papel ao dar oportunidade às comunidades para que se expressem. Ela também salientou que tais rádios contribuem para a divulgação das tradições culturais, bem como prestam serviço de utilidade pública à comunidade.
Maria das Graças ainda criticou a legislação que impede as rádios comunitárias de captarem recursos publicitários. Ela destacou que, sem financiamento, as emissoras não podem sobreviver nem se adequar às novas tecnologias.
sábado, 1 de dezembro de 2007
TV BRASIL FARÁ JORNALISMO GUIADO PELA ISENÇÃO
“TV Brasil fará jornalismo guiado pela isenção”
por jpereira — Última modificação 29/11/2007 10:00
Em entrevista exclusiva, a ex-colunista de O Globo Tereza Cruvinel comenta algumas críticas da sociedade civil ao modelo de gestão escolhido por Lula para a TV pública
28/11/2007
Mayrá Lima
de Brasília (DF)
A indicação da ex-colunista de O Globo Tereza Cruvinel para a presidência da nova rede de televisão pública não deixou de ser uma surpresa. Sua carreira profissional está marcada pela atuação de 25 anos na mídia corporativa e, sobretudo, no grupo econômico mais poderoso do setor. Sob o olhar da desconfiança de organizações que batalham pela democratização das comunicações, Tereza comenta nesta entrevista algumas das críticas que vêm sendo feitas ao modelo de constituição da futura TV Brasil. Uma delas é a composição do Conselho Curador da nova empresa, composto por “personalidades” indicadas, em sua maioria, pelo presidente da República. “A representação partidária ou corporativa acabaria expressando os interesses de grupos organizados da sociedade, e não sua diversidade. Por este motivo, optou-se pela escolha de personalidades de elevado conceito e credibilidade que se destacam em suas áreas de atuação”, contra-argumenta a jornalista.
Sobre os meios de comunicação empresariais, Tereza não coloca em questão o papel que exercem na legitimação da ordem econômico-social vigente. No entanto, discorda que exista criminalização dos movimentos sociais, mas sim insuficiência de veículos para que esses grupos se expressem. “Em outros países, a imprensa partidária, expressão de grupos e movimentos, tem mais força que no Brasil”, comenta.
Brasil de Fato – Que linhas, dentro das teorias da sociologia e da comunicação, exerceram influência em sua formação acadêmica?
Tereza Cruvinel – Embora tenha feito mestrado em Comunicação, tenho uma formação preponderantemente política, em que se destaca a importância que dou à sociedade civil como espaço vital da democracia, na linha de Gramsci. Neste sentido, entendo a TV Pública como expressão e instrumento da sociedade civil. Bobbio também é uma referência contemporânea importante para se compreender a moderna democracia. Na abordagem da mídia propriamente dita, gosto de Chomsky, Umberto Eco e Boaventura Santos. Mas não farei um exercício teórico. Tentarei usar tudo o que aprendi em 25 de profissão para ajudar a construir a TV Pública.
Alguns teóricos da comunicação dizem que os meios de comunicação privados assumem um discurso que legitima o sistema neoliberal...
A mídia, enquanto corporação, expressa valores de seu tempo, tem conexões com o sistema econômico de seu tempo. E acho natural que seja assim. Afinal, é o sistema econômico hegemônico que a financia, através da publicidade.
Para o intelectual estadunidense Noam Chomsky, uma sociedade democrática é aquela em que as pessoas dispõem de “meios que lhes permitem participar de maneira significativa na condução dos seus próprios assuntos e em que a mídia é aberta e livre”. A senhora concorda?
Sim, a natureza dos meios reflete o grau de maturidade de uma sociedade. A Constituição brasileira prevê complementaridade entre os sistemas privado, estatal e público. Em relação a este último, há uma lacuna. Um sistema público é aquele que deve expressar também a participação da sociedade em seu controle. Se bem sucedidas, a TV Brasil e a rede pública podem cumprir este papel.
Na sua perspectiva, há uma criminalização dos movimentos socais pela mídia comercial?
Não, acho apenas que eles carecem de canais de expressão fora da mídia comercial. Em outros países, a imprensa corporativa, partidária, expressão de grupos e movimentos, tem mais força que no Brasil.
Que tipo de jornalismo se pode esperar da TV Brasil? Qual o enfoque será utilizado?
A TV Brasil fará um jornalismo sem adjetivos cromáticos, guiado pelos fatos, pelo equilíbrio e isenção. E independente da boa intenção ou das virtudes de seus dirigentes, a vigilância da sociedade deve prevalecer. A TV não fará matérias a favor do governo, brigando com os fatos, negando-os ou distorcendo-os, mas também não deve confundir independência com oposição ao governo a qualquer custo. Embora o Estado seja um dos maiores financiadores da TV Brasil, o jornalismo não será subordinado às conveniências do governo. Faremos um jornalismo que buscará oferecer ao cidadão a informação mais objetiva possível, para que ele mesmo forme suas opiniões. Queremos um jornalismo participativo, que leve em conta as realidades de todo o país.
Qual o diferencial de uma televisão pública para uma comercial e uma estatal?
Os conceitos de TV estatal/governamental e TV Pública são bem distintos. As duas primeiras caracterizam canais explorados e controlados pelo Estado, através dos sucessivos governos. A TV Pública, porém, não deve estar subordinada ao poder político, seja ele de partidos, governos e poderes constituídos, mesmo que tenha grande parte do financiamento proveniente de recursos públicos. Uma emissora pública também não se guia pela lógica econômico-comercial da TV privada, pois segue uma linha alternativa tanto na gestão quanto no conteúdo, que se distingue por uma qualificada programação cultural, educativa, artística e regional. Além disso, a abertura a produções independentes é outro diferencial da TV Brasil.
Qual será o papel da TV Pública na luta pela democratização da comunicação?
O surgimento de mais uma rede de televisão, e de natureza pública, pode contribuir para o aumento da diversidade na oferta de oportunidades de informação ao cidadão. Quanto maior a diversidade do sistema de radiodifusão, mais democrático ele se torna, permitindo que a sociedade possa formar seus juízos a partir do acesso a um conjunto variado de mensagens que expressem o pluralismo da própria sociedade. A TV Pública abre um espaço fundamental para o debate de temas sociais relacionados direta ou indiretamente à vida dos cidadãos. O formato adotado estimula a participação dos telespectadores e a torna um instrumento de democracia no país.
Aspectos empresariais incidem sobre as linhas editoriais da imprensa comercial. Qual será o comportamento da TV Pública diante disso?
Diferentemente das emissoras comerciais, que são financiadas pela publicidade, um canal público deve evitar financiamento publicitário, valendo-se dos recursos públicos para devolvê-los aos contribuintes e à sociedade em geral na forma de um serviço independente de comunicação e
informação. Mas, ao mesmo tempo, a emissora pública deve buscar fontes complementares de financiamento, como os patrocinadores, as doações e os anúncios exclusivamente institucionais, reduzindo assim a sua dependência dos recursos orçamentários. Por isso mesmo, terá liberdade para construir sua programação e sua linha editorial em sintonia com a sociedade representada no Conselho Curador.
Prevê-se que a escolha dos integrantes do Conselho Curador deva ser por "personalidades". Outras instâncias do governo se utilizam de Conselhos em que a representação organizada da sociedade é quem as compõem. Por que na TV Brasil não é assim?
A representação partidária ou corporativa acabaria expressando os interesses de grupos organizados da sociedade, e não sua diversidade. Por este motivo, optou-se pela escolha de personalidades de elevado conceito e credibilidade que se destacam em suas áreas de atuação e são aptas a julgar a qualidade dos serviços prestados pela TV Pública. Mas os telespectadores também terão formas de acesso ao Conselho Curador, para opinar e criticar a atuação. Estes canais de relacionamento ainda estão sendo definidos.
Que tipos de mecanismos de controle social serão implantados?
Além do Conselho Curador, os cidadãos terão à disposição várias ferramentas de interatividade, entre elas uma Ouvidoria bem equipada, que receberá todas as sugestões e críticas dos telespectadores e encaminhará para as áreas de interesse. Além disso, um site deverá fazer pesquisas de opinião e garantir um espaço para críticas e sugestões.
A vinculação quase que exclusiva da TB ao governo federal, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), e no poder do presidente Lula que indicará 80% do Conselho Administrativo e 95% dos que integrarão o Conselho Curador, não coloca em cheque o conceito de “público”?
A nova empresa responde ao Conselho de Administração apenas do ponto de vista administrativo e financeiro, pois afinal estará lidando com recursos públicos. Tratando-se de uma estatal, a lei exige que ela seja vinculada a algum ministério, e por afinidade temática a vinculação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é à Secom. Quanto à indicação dos membros do Conselho Curador, em toda experiência internacional de TVs públicas a escolha parte do Chefe de Governo, no pressuposto de que, no regime democrático, essa prerrogativa foi legitimada pelo voto. Isso não impede, e está previsto na Medida Provisória, a busca de mecanismos de participação direta da sociedade na escolha dos conselheiros. O Congresso, soberanamente, saberá fazer as alterações que vêm sugerindo, desde que seja mantida a natureza do Conselho e sua funcionalidade como controlador do cumprimento dos objetivos da TV Pública.
Quanto ao orçamento do sistema público, a abertura de publicidade institucional de empresas de direito privado não abre a possibilidade de um possível interferência em sua linha editorial? Por que não criar um fundo próprio para a manutenção deste sistema público, como já ocorre em outros países e foi sugerido no I Fórum de TBs Públicas?
O volume de recursos que podem ser captados pela publicidade institucional jamais terá o peso da publicidade comercial que financia as emissoras privadas. Portanto, não haverá risco de interferência na linha editorial. Quanto à criação de um fundo próprio, no Brasil seria inviável a
cobrança de um tributo da população para a TV Pública, ao contrário do que ocorre em alguns países como a Inglaterra, por exemplo, em que o tributo equivale a 145 libras anuais por domicílio com TV. Mas se o Congresso garantir a participação da TV Pública em fundos já existentes (como o FUST, FISTEL e outros), receberemos muito bem esta contribuição.
Está sendo cogitado um sistema público de comunicação, com rádio e internet, ou ficaremos somente com a televisão?
Os outros meios também serão contemplados. Toda as emissoras federais de rádio passarão a ser exploradas pela EBC. A meta é construir uma rede integrada, assim como a TV. A Agência Brasil de Notícias continuará sendo um portal de notícias em tempo real, mas será fortalecida pela EBC, com investimento de recursos de convergência tecnológica para torná-lo um portal multimídia.
por jpereira — Última modificação 29/11/2007 10:00
Em entrevista exclusiva, a ex-colunista de O Globo Tereza Cruvinel comenta algumas críticas da sociedade civil ao modelo de gestão escolhido por Lula para a TV pública
28/11/2007
Mayrá Lima
de Brasília (DF)
A indicação da ex-colunista de O Globo Tereza Cruvinel para a presidência da nova rede de televisão pública não deixou de ser uma surpresa. Sua carreira profissional está marcada pela atuação de 25 anos na mídia corporativa e, sobretudo, no grupo econômico mais poderoso do setor. Sob o olhar da desconfiança de organizações que batalham pela democratização das comunicações, Tereza comenta nesta entrevista algumas das críticas que vêm sendo feitas ao modelo de constituição da futura TV Brasil. Uma delas é a composição do Conselho Curador da nova empresa, composto por “personalidades” indicadas, em sua maioria, pelo presidente da República. “A representação partidária ou corporativa acabaria expressando os interesses de grupos organizados da sociedade, e não sua diversidade. Por este motivo, optou-se pela escolha de personalidades de elevado conceito e credibilidade que se destacam em suas áreas de atuação”, contra-argumenta a jornalista.
Sobre os meios de comunicação empresariais, Tereza não coloca em questão o papel que exercem na legitimação da ordem econômico-social vigente. No entanto, discorda que exista criminalização dos movimentos sociais, mas sim insuficiência de veículos para que esses grupos se expressem. “Em outros países, a imprensa partidária, expressão de grupos e movimentos, tem mais força que no Brasil”, comenta.
Brasil de Fato – Que linhas, dentro das teorias da sociologia e da comunicação, exerceram influência em sua formação acadêmica?
Tereza Cruvinel – Embora tenha feito mestrado em Comunicação, tenho uma formação preponderantemente política, em que se destaca a importância que dou à sociedade civil como espaço vital da democracia, na linha de Gramsci. Neste sentido, entendo a TV Pública como expressão e instrumento da sociedade civil. Bobbio também é uma referência contemporânea importante para se compreender a moderna democracia. Na abordagem da mídia propriamente dita, gosto de Chomsky, Umberto Eco e Boaventura Santos. Mas não farei um exercício teórico. Tentarei usar tudo o que aprendi em 25 de profissão para ajudar a construir a TV Pública.
Alguns teóricos da comunicação dizem que os meios de comunicação privados assumem um discurso que legitima o sistema neoliberal...
A mídia, enquanto corporação, expressa valores de seu tempo, tem conexões com o sistema econômico de seu tempo. E acho natural que seja assim. Afinal, é o sistema econômico hegemônico que a financia, através da publicidade.
Para o intelectual estadunidense Noam Chomsky, uma sociedade democrática é aquela em que as pessoas dispõem de “meios que lhes permitem participar de maneira significativa na condução dos seus próprios assuntos e em que a mídia é aberta e livre”. A senhora concorda?
Sim, a natureza dos meios reflete o grau de maturidade de uma sociedade. A Constituição brasileira prevê complementaridade entre os sistemas privado, estatal e público. Em relação a este último, há uma lacuna. Um sistema público é aquele que deve expressar também a participação da sociedade em seu controle. Se bem sucedidas, a TV Brasil e a rede pública podem cumprir este papel.
Na sua perspectiva, há uma criminalização dos movimentos socais pela mídia comercial?
Não, acho apenas que eles carecem de canais de expressão fora da mídia comercial. Em outros países, a imprensa corporativa, partidária, expressão de grupos e movimentos, tem mais força que no Brasil.
Que tipo de jornalismo se pode esperar da TV Brasil? Qual o enfoque será utilizado?
A TV Brasil fará um jornalismo sem adjetivos cromáticos, guiado pelos fatos, pelo equilíbrio e isenção. E independente da boa intenção ou das virtudes de seus dirigentes, a vigilância da sociedade deve prevalecer. A TV não fará matérias a favor do governo, brigando com os fatos, negando-os ou distorcendo-os, mas também não deve confundir independência com oposição ao governo a qualquer custo. Embora o Estado seja um dos maiores financiadores da TV Brasil, o jornalismo não será subordinado às conveniências do governo. Faremos um jornalismo que buscará oferecer ao cidadão a informação mais objetiva possível, para que ele mesmo forme suas opiniões. Queremos um jornalismo participativo, que leve em conta as realidades de todo o país.
Qual o diferencial de uma televisão pública para uma comercial e uma estatal?
Os conceitos de TV estatal/governamental e TV Pública são bem distintos. As duas primeiras caracterizam canais explorados e controlados pelo Estado, através dos sucessivos governos. A TV Pública, porém, não deve estar subordinada ao poder político, seja ele de partidos, governos e poderes constituídos, mesmo que tenha grande parte do financiamento proveniente de recursos públicos. Uma emissora pública também não se guia pela lógica econômico-comercial da TV privada, pois segue uma linha alternativa tanto na gestão quanto no conteúdo, que se distingue por uma qualificada programação cultural, educativa, artística e regional. Além disso, a abertura a produções independentes é outro diferencial da TV Brasil.
Qual será o papel da TV Pública na luta pela democratização da comunicação?
O surgimento de mais uma rede de televisão, e de natureza pública, pode contribuir para o aumento da diversidade na oferta de oportunidades de informação ao cidadão. Quanto maior a diversidade do sistema de radiodifusão, mais democrático ele se torna, permitindo que a sociedade possa formar seus juízos a partir do acesso a um conjunto variado de mensagens que expressem o pluralismo da própria sociedade. A TV Pública abre um espaço fundamental para o debate de temas sociais relacionados direta ou indiretamente à vida dos cidadãos. O formato adotado estimula a participação dos telespectadores e a torna um instrumento de democracia no país.
Aspectos empresariais incidem sobre as linhas editoriais da imprensa comercial. Qual será o comportamento da TV Pública diante disso?
Diferentemente das emissoras comerciais, que são financiadas pela publicidade, um canal público deve evitar financiamento publicitário, valendo-se dos recursos públicos para devolvê-los aos contribuintes e à sociedade em geral na forma de um serviço independente de comunicação e
informação. Mas, ao mesmo tempo, a emissora pública deve buscar fontes complementares de financiamento, como os patrocinadores, as doações e os anúncios exclusivamente institucionais, reduzindo assim a sua dependência dos recursos orçamentários. Por isso mesmo, terá liberdade para construir sua programação e sua linha editorial em sintonia com a sociedade representada no Conselho Curador.
Prevê-se que a escolha dos integrantes do Conselho Curador deva ser por "personalidades". Outras instâncias do governo se utilizam de Conselhos em que a representação organizada da sociedade é quem as compõem. Por que na TV Brasil não é assim?
A representação partidária ou corporativa acabaria expressando os interesses de grupos organizados da sociedade, e não sua diversidade. Por este motivo, optou-se pela escolha de personalidades de elevado conceito e credibilidade que se destacam em suas áreas de atuação e são aptas a julgar a qualidade dos serviços prestados pela TV Pública. Mas os telespectadores também terão formas de acesso ao Conselho Curador, para opinar e criticar a atuação. Estes canais de relacionamento ainda estão sendo definidos.
Que tipos de mecanismos de controle social serão implantados?
Além do Conselho Curador, os cidadãos terão à disposição várias ferramentas de interatividade, entre elas uma Ouvidoria bem equipada, que receberá todas as sugestões e críticas dos telespectadores e encaminhará para as áreas de interesse. Além disso, um site deverá fazer pesquisas de opinião e garantir um espaço para críticas e sugestões.
A vinculação quase que exclusiva da TB ao governo federal, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), e no poder do presidente Lula que indicará 80% do Conselho Administrativo e 95% dos que integrarão o Conselho Curador, não coloca em cheque o conceito de “público”?
A nova empresa responde ao Conselho de Administração apenas do ponto de vista administrativo e financeiro, pois afinal estará lidando com recursos públicos. Tratando-se de uma estatal, a lei exige que ela seja vinculada a algum ministério, e por afinidade temática a vinculação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é à Secom. Quanto à indicação dos membros do Conselho Curador, em toda experiência internacional de TVs públicas a escolha parte do Chefe de Governo, no pressuposto de que, no regime democrático, essa prerrogativa foi legitimada pelo voto. Isso não impede, e está previsto na Medida Provisória, a busca de mecanismos de participação direta da sociedade na escolha dos conselheiros. O Congresso, soberanamente, saberá fazer as alterações que vêm sugerindo, desde que seja mantida a natureza do Conselho e sua funcionalidade como controlador do cumprimento dos objetivos da TV Pública.
Quanto ao orçamento do sistema público, a abertura de publicidade institucional de empresas de direito privado não abre a possibilidade de um possível interferência em sua linha editorial? Por que não criar um fundo próprio para a manutenção deste sistema público, como já ocorre em outros países e foi sugerido no I Fórum de TBs Públicas?
O volume de recursos que podem ser captados pela publicidade institucional jamais terá o peso da publicidade comercial que financia as emissoras privadas. Portanto, não haverá risco de interferência na linha editorial. Quanto à criação de um fundo próprio, no Brasil seria inviável a
cobrança de um tributo da população para a TV Pública, ao contrário do que ocorre em alguns países como a Inglaterra, por exemplo, em que o tributo equivale a 145 libras anuais por domicílio com TV. Mas se o Congresso garantir a participação da TV Pública em fundos já existentes (como o FUST, FISTEL e outros), receberemos muito bem esta contribuição.
Está sendo cogitado um sistema público de comunicação, com rádio e internet, ou ficaremos somente com a televisão?
Os outros meios também serão contemplados. Toda as emissoras federais de rádio passarão a ser exploradas pela EBC. A meta é construir uma rede integrada, assim como a TV. A Agência Brasil de Notícias continuará sendo um portal de notícias em tempo real, mas será fortalecida pela EBC, com investimento de recursos de convergência tecnológica para torná-lo um portal multimídia.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
COMUNITÁRIAS SÃO EXCLUÍDAS DA DISCUSSÃO SOBRE RÁDIO DIGITAL
Politica
22/11/2007 - 17h06
Comunitárias são excluídas da discussão sobre rádio digital, dizem representantes
Redação 24HorasNews
O coordenador da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), José Guilherme Castro, disse que o debate sobre a implantação do rádio digital enfatiza a qualidade que o novo sistema oferecerá e não trata da democratização da informação, o que, para ele, inclui as rádios comunitárias. Ele também pediu anistia para os comunicadores comunitários que respondem a processos na Justiça. As observações foram feitas durante audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), que discutiu nesta quinta-feira (22) a implantação do rádio digital. As rádios comerciais recebem tratamento diferenciado em relação às comunitárias, disse José Castro. Segundo ele, a legislação é aplicada de forma desigual ao fiscalizar e punir as comunitárias, o que não acontece com as comerciais. - Quanto deve ser o saldo médio para não ser fiscalizado? Queremos vistas grossas para todos ou Polícia Federal para todos? -indagou José Castro, ao argumentar que o erro do Estado é tratar as rádios comunitárias como "erva daninha". Já na opinião da presidente da Federação das Associações das Rádios Comunitárias do Rio de Janeiro (Farc), Maria das Graças Rocha, a comunicação deve ser abordada como um direito das pessoas. Para ela, as rádios comunitárias desempenham importante papel ao dar oportunidade às comunidades para que se expressem. Ela também salientou que tais rádios contribuem para a divulgação das tradições culturais, bem como prestam serviço de utilidade pública à comunidade. Maria das Graças Rocha ainda criticou a proibição legal que impede as rádios comunitárias de captarem recursos publicitários. Ela destacou que sem financiamento as emissoras não podem sobreviver nem se adequar às novas tecnologias.
22/11/2007 - 17h06
Comunitárias são excluídas da discussão sobre rádio digital, dizem representantes
Redação 24HorasNews
O coordenador da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), José Guilherme Castro, disse que o debate sobre a implantação do rádio digital enfatiza a qualidade que o novo sistema oferecerá e não trata da democratização da informação, o que, para ele, inclui as rádios comunitárias. Ele também pediu anistia para os comunicadores comunitários que respondem a processos na Justiça. As observações foram feitas durante audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), que discutiu nesta quinta-feira (22) a implantação do rádio digital. As rádios comerciais recebem tratamento diferenciado em relação às comunitárias, disse José Castro. Segundo ele, a legislação é aplicada de forma desigual ao fiscalizar e punir as comunitárias, o que não acontece com as comerciais. - Quanto deve ser o saldo médio para não ser fiscalizado? Queremos vistas grossas para todos ou Polícia Federal para todos? -indagou José Castro, ao argumentar que o erro do Estado é tratar as rádios comunitárias como "erva daninha". Já na opinião da presidente da Federação das Associações das Rádios Comunitárias do Rio de Janeiro (Farc), Maria das Graças Rocha, a comunicação deve ser abordada como um direito das pessoas. Para ela, as rádios comunitárias desempenham importante papel ao dar oportunidade às comunidades para que se expressem. Ela também salientou que tais rádios contribuem para a divulgação das tradições culturais, bem como prestam serviço de utilidade pública à comunidade. Maria das Graças Rocha ainda criticou a proibição legal que impede as rádios comunitárias de captarem recursos publicitários. Ela destacou que sem financiamento as emissoras não podem sobreviver nem se adequar às novas tecnologias.
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